quarta-feira, 23 de maio de 2018

Semana da Educação Artística da UNESCO


de 21 a 26 de maio



Tema 2018: A função das artes na Educação





Na sua 30ª sessão da Conferência Geral, que decorreu em 1999, a UNESCO apelou para a promoção da Educação Artística nas escolas - para o papel interdisciplinar das artes como elemento fundamental na educação, especialmente no fortalecimento da promoção da diversidade cultural. 

A UNESCO reconhece deste modo a importância da criatividade e das artes, para o desenvolvimento sustentável das sociedades multiculturais e dos indivíduos.


O mundo camiliano visto por Júlio Pomar


«Desenhar será pôr em situação os elementos de uma relação. A ilustração de um texto poderá ser encarada como a hipótese de visualização da sua leitura, uma espécie de síntese do que o texto evoca. E por outro lado a ilustração servirá de pretexto à uma análise das situações que constituem a narrativa e será o resultado da selecção dos elementos que deverão assegurar a necessária e comunicabilidade. Do já visto se partirá para o imaginado, e aí se irá revelar a qualidade do observador, a invenção do artista e o entendimento do leitor que este começou por ser. Para esclarecimento do visitante desta exposição, sublinha-se o facto que os desenhos que nela se mostram não são os que integraram a edição original do livro de Aquilino, perdidos por incúria minha, mas os que se guardaram entre todos os estudos que preparam aqueles. Cada um dos desenhos que devia servir de ilustração fora ensaiado e repetido tantas vezes quanto as julgadas necessárias para a clareza da imagem, tal como o actor busca limpidez na boa articulação das palavras que compõem o texto dramático. A maior parte destes desenhos foi destruída, conservando-se apenas aqueles em que se julgou ver uma hipótese de clareza.» Júlio Pomar




Os desenhos de Júlio Pomar para O Romance de Camilo, de Aquilino Ribeiro, por ocasião das comemorações dos 150 anos da publicação de Amor de PerdiçãoSegundo o presidente do CCB, Vasco Graça Moura, a proposta passa, assim, por descobrir “o mundo camiliano do século XIX pelo pincel de um grande pintor do século XX”.



   
 Camilo visto por Júlio Pomar



A obra de Júlio Pomar revela com grande frequência uma relação muito estreita com a literatura. É extensa a lista das suas incursões nesse campo, abrangendo, entre outros, obras e nomes como os de Baudelaire e Jorge Luís Borges, Fernão Mendes Pinto e Luís de Camões, Edgar Poe e Fernando Pessoa, Dante Alighieri e José Cardoso Pires. O voo lírico, a ironia, a estranheza, o desassossego, a dimensão simbólica, reencontram-se nesse processo criativo de figuração e refiguração plástica de situações, de posturas, de atitudes e fisionomias, de circunspecções e divertimentos, por vezes em notações extremamente sintéticas, por vezes em exercícios de um ludismo realista e vertiginoso. 
À perspectiva do ilustrador de textos que sabe, de um modo certeiro, colher as sugestões neles contidas, junta-se a obra do retratista de autores, formando já uma considerável galeria de celebridades. Também aí, Pomar é de uma argúcia e de uma “literariedade” fora do comum, porquanto, no seu tão característico virtuosismo de execução, alia a uma reconhecibilidade perfeitamente conseguida, e por assim dizer emblemática, da figura do autor retratado, uma espécie de síntese penetrante que decorre da sua própria leitura da obra dele. Ou, se se quiser, Pomar propõe-nos visão e uma leitura, a sua visão e a sua leitura, da obra e do homem em termos tão pessoais e idiossincráticos que é como se cada um dos seus retratos de escritores funcionasse como um quase heterónimo do pintor... 
Vemos da presente série que o desenho a nanquim, a que recorre quase sempre, é também uma «forma de escrita», ágil, pitoresca, cheia de movimento, capaz de ângulos e planos quase cinematográficos, inesperados e saborosos na maneira de exprimir, nas suas rápidas notações, aquilo que o texto literário diz ou implica, quer se trate de situações individuais, quer de pequenos grupos ou conjuntos, quer de massas populares em agitação. Nestas ilustrações para o Romance de Camilo, de Aquilino Ribeiro, o traço e a mancha dão sucessivas expressões à ironia e à sátira, revisitando o mundo camiliano do século XIX pelo pincel de um grande pintor do século XX

Vasco Graça Moura

Júlio Pomar (1926-2018)



IN MEMORIAM


Fernando Pessoa visto por Júlio Pomar



Umas vezes falando através da pintura, outras fazendo o uso da palavra, Júlio Pomar nunca perdeu a irreverência, a vontade e a necessidade de pôr o mundo do avesso e todas as convenções em questão. A inquietação terá estado na base da transformação contínua da sua obra.

Ler AQUI o artigo de Sara Antónia Matos, "Revisitar Júlio Pomar: um artista em movimento", in Público, 22 de Maio de 2018

terça-feira, 22 de maio de 2018

Mensagem da UNESCO para o Dia Internacional da Biodiversidade


“Nós não herdámos a Terra dos nossos antepassados; pedimo-la emprestada aos nossos filhos”.- Provérbio indígena norte-americano












A biodiversidade é um bem comum, um legado inestimável formado ao longo de milhões de anos e um património para ser transmitido às gerações futuras. A sua definição inclui a variedade excepcional de formas de vida existentes na Terra, assim como os ambientes naturais onde essas formas se desenvolveram – os ecossistemas. A biodiversidade é essencial para a nossa própria existência e oferece todos os recursos da natureza para o nosso desenvolvimento. 

A biodiversidade, contudo, não é inesgotável. As intervenções humanas – a exploração extensiva dos recursos, os padrões insustentáveis de consumo, a poluição industrial que causa a mudança climática – têm como resultado danos irreparáveis à biodiversidade. 

Isso foi destacado por especialistas internacionais na Plataforma Intergovernamental sobre Diversidade Biológica e Serviços dos Ecossistemas (Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services – IPBES), que se reuniu no último mês de março em Medellin, na Colombia. Os relatórios produzidos por esses especialistas confirmaram a rápida deterioração da biodiversidade e destacaram os efeitos diretos dessa deterioração que já são visíveis, tais como a propagação de certas doenças entre os seres humanos. 

A UNESCO, uma agência parceira da Plataforma IPBES, compromete-se a trabalhar para conter a perda da biodiversidade e para promover o uso sustentável dos ecossistemas. O Programa O Homem e a Biosfera (Man and the Biosphere – MAB), por exemplo, tem como objetivo assegurar o equilíbrio harmónico entre as atividades humanas e o meio ambiente natural. No contexto da Década das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica (2011-2020), a UNESCO também contribui de forma ativa para a implementação da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), aprovada há 25 anos por 196 Estados-partes, e que tem como objetivo a conservação da diversidade biológica e a partilha sustentável e equitativa dos recursos. Nos sítios da sua Lista do Património Mundial, na sua Rede Mundial de Reservas da Biosfera e nos seus Geoparques Globais, a nossa Organização desenvolve soluções inovadoras com todos os seus parceiros, ao abordar de forma complementar as questões da biodiversidade e da diversidade cultural. 

Para além da urgente necessidade de preservar a biodiversidade e restaurar os ecossistemas degradados, esses programas ajudam a transformar atitudes e a desenvolver práticas económicas e sociais. Isso insere-se na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, em especial no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 15 (ODS 15), dedicado à qualidade da vida na Terra, e exige a compartilha de valores como a cooperação, o respeito pela diversidade e a solidariedade entre as gerações, valores esses adquiridos e cultivados por meio da educação para o desenvolvimento sustentável (EDS). 

Este Dia Internacional tem como objetivo aumentar a consciencialização sobre essas questões que são fundamentais para a nossa vida, hoje e no futuro. Neste Dia, um lindo provérbio indígena norte-americano é particularmente adequado: “Nós não herdamos a Terra dos nossos ancestrais; nós a tomamos emprestada dos nossos filhos”.

Mensagem de Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO, por ocasião do Dia Internacional da Diversidade Biológica, 22 de maio de 2018 

Biodiversidade - kit de aprendizagem



"Go take your lessons in nature, that is where our future is."
 Leonardo da Vinci



 https://drive.google.com/open?id=1J9JmnwE4l1knTf_gxEP0_xMlOy-e53vk




Este kit educativo é o resultado do trabalho conjunto de especialistas de várias disciplinas, incluindo educação, pedagogia, ciências biológicas, ecologia, línguas e diversidade cultural. O projeto favorece a interdisciplinaridade porque, por definição, a biodiversidade - tema central deste manual - atravessa todos os setores da sociedade. A diversidade biológica engloba o passado - a evolução da vida na Terra -, o presente - a contribuição da biodiversidade para o bem-estar humano -, e o futuro - a necessidade crucial de preservar a biodiversidade à medida que sofre erosão e perdas a nível local, regional e global.


Aprender a proteger a biodiversidade






Este vídeo mostra como abordar a biodiversidade através da Educação para o Desenvolvimento Sustentável e mobilizar professores, estudantes, pesquisadores e tomadores de decisão para a reflexão sobre as questões da biodiversidade e a sua interdependência com questões globais de desenvolvimento sustentável.

Mostra como a educação nos pode ajudar a entender melhor o valor da biodiversidade e as causas da perda da biodiversidade. Também dá exemplos de como educadores e estudantes podem ser pró-ativos e ajudar a conservar a biodiversidade.

O objetivo é aumentar a consciencialização pública sobre questões de biodiversidade, inspirando as partes interessadas, incluindo jovens, professores e profissionais dos media.


Dia Internacional da Biodiversidade


22 de maio






A biodiversidade é o tecido vivo do nosso planeta. Ela sustenta o bem-estar humano no presente e no futuro, e o seu rápido declínio ameaça a natureza e as pessoas. De acordo com relatórios divulgados em 2018 pela Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistémicos (IPBES), os principais impulsionadores globais da perda de biodiversidade são a mudança climática, espécies invasoras, superexploração de recursos naturais, poluição e urbanização.

Para interromper ou reverter esse declínio, é vital transformar os papéis, ações e relacionamentos das pessoas com a biodiversidade. Existem muitas soluções para parar e reverter o declínio da biodiversidade. As diversas redes, programas e parceiros da UNESCO observaram sementes positivas e inspiradoras de mudança em todo o mundo. A UNESCO também acompanha os Estados Membros e os seus povos nos seus esforços para deter a perda de biodiversidade, compreendendo, valorizando, salvaguardando e usando a biodiversidade de forma sustentável.

É hora de agir pela biodiversidade! As Nações Unidas proclamaram o dia 22 de maio o Dia Internacional da Diversidade Biológica (BID) para aumentar a compreensão e a consciencialização sobre as questões da biodiversidade.


Mensagem do Secretário-Geral da ONU, António Guterres 

Este Dia Internacional serve para recordar a importância da biodiversidade do planeta e pretende chamar a atenção para as perdas devastadoras que estamos a sofrer numa altura em que espécies insubstituíveis se extinguem a um ritmo sem precedentes. 

Ao procurarmos superar este problema, devemos tomar a agricultura como ponto de partida. As culturas e aves domésticas dos nossos dias são um reflexo da gestão humana. E as notícias não são boas. Cerca de um quinto das raças de animais domésticos estão em risco de extinção, perdendo-se, em média, uma raça por mês. Das 7 000 espécies de plantas domesticadas ao longo dos 10 000 anos de história da agricultura, apenas 30 são utilizadas para produzir a grande maioria dos alimentos que consumimos diariamente. Depender de um número tão reduzido de espécies para garantir o nosso sustento é uma estratégia que está condenada ao fracasso.

As alterações climáticas estão a complicar a situação. As flutuações da temperatura e da precipitação estão a causar danos enormes nas culturas. Os peritos dizem que estes factores poderão custar à África Austral até 30% das suas colheitas de milho até 2030. A diversidade das culturas e dos animais de pecuária são o nosso melhor seguro contra as alterações climáticas. 

A produção animal é em si mesma um factor determinante das alterações climáticas, pois é responsável por mais emissões de gases com efeito de estufa do que os transportes. Este setor representa uma ameaça direta para a biodiversidade; aproximadamente um quinto da biomassa animal terrestre destina-se aos animais de pecuária – terras que em tempos foram o habitat de fauna e flora selvagens e que poderiam ajudar a atenuar consideravelmente os impactos das alterações climáticas.

Num mundo em que se prevê que a população aumente 50% até ao ano 2050, estas tendências poderão muito bem significar fome e malnutrição generalizadas, criando condições favoráveis ao alastramento da pobreza, da doença e mesmo dos conflitos. 

A preservação da biodiversidade preciosa do nosso planeta é essencial para o desenvolvimento e a segurança. Não são apenas os animais e culturas produzidos nas zonas agrícolas, mas também os muitos milhares de plantas e animais que existem nas florestas, nos oceanos e noutros ecossistemas que necessitam de ser protegidos a fim de preservar o equilíbrio ambiental fundamental do planeta.

Temos de congregar esforços no sentido de encontrar soluções, como, por exemplo, o Plano de Acção Mundial sobre os Recursos Genéticos Animais, adoptado em setembro passado numa reunião apoiada pelas Nações Unidas. As Partes na Convenção sobre Diversidade Biológica vão reunir-se em maio para trabalhar com todos os outros parceiros, redobrando esforços com vista a reduzir a perda de biodiversidade e procurando, simultaneamente, alcançar as metas mundiais fixadas para 2010.

Todos continuamos a ter interesse em promover o bom funcionamento de ecossistemas caracterizados pela diversidade de espécies e recursos genéticos, com vista a garantir a sustentação da vida em toda a parte. É demasiado tarde para anular os danos causados ao planeta, mas nunca é demasiado cedo para começar a preservar tudo o que nos resta. Que este Dia Internacional da Diversidade Biológica nos una nesta missão.