terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Encontro com Mª João Lopo de Carvalho


Ensino Secundário | 10:05
Ensino Básico (9º ano) | 11:45



Encontro com autores: Maria João Lopo de Carvalho 


Na passada segunda-feira, os alunos do 10º H, 11º B, 11º H e 11º J estiveram no auditório 1, no 1º Encontro com autores deste ano letivo. 

Após ter ouvido a leitura de extratos do seu último livro, "Até que o amor me mate - as mulheres de Camões", a escritora Maria João Lopo de Carvalho falou sobre a pesquisa para o romance e as personagens (historicidade e verosimilhança). Na parte final da sessão, tivemos uma excelente surpresa: a autora partilhou com todos nós as impressões de viagem e as fotografias da sua revisitação do percurso de Vasco da Gama e de Camões (Cabo da Boa Esperança, ilha de Moçambique, Mombaça, Melinde - Quénia, Ormuz, Mascate, Diu, Cochim, Taprobana - Sri Lanka, Malaka, Ilhas Molucas).

Às 11:45 foi a vez dos alunos do 9º A e do 9º C que certamente não vão esquecer o roteiro do Gama, aquando da sua primeira viagem à Índia, nem Luís de Camões (o homem, o poeta - lírico e épico -, a época). 
 
Excelente comunicadora e com sentido de humor, Maria João Lopo de Carvalho proporcionou, a todos nós, um memorável encontro... com o mundo dos textos e os textos do mundo!
 
 
 

domingo, 14 de janeiro de 2018

Viajar com Camões






"Tentei descobrir o homem para além da obra e descobri um homem que adorava mulheres. Coloquei sete mulheres: Dona Violante [de Andrade], Catarina de Ataíde, Francisca [de Aragão], Dinamene, Bárbara, a mãe de Camões [Ana de Sá de Macedo] e uma personagem fictícia, a Inês de Sousa, a contarem a sua vida. Cada uma delas fala de pedacinhos da vida dele até termos o fresco da vida do poeta”, explicou a escritora.
 
Depois de dois anos de intensa pesquisa e numa altura em que terminava o seu casamento com José Maria Casal Ribeiro, Maria João decidiu que era chegado o tempo de percorrer os mesmos caminhos que Camões, o que a levou a uma viagem de dois meses por 16 cidades e 12 países, usando quatro barcos e mais de 30 aviões: “Tudo aconteceu na altura em que me separei e achei que deveria investir as minhas poupanças numa viagem a que chamei “Viagem dos Sentidos”. Precisava de sentir, pisar, cheirar, ver e provar todos os sítios onde o poeta esteve, para estar o mais próxima possível dele. E aí embarquei e fiz das fraquezas forças... Não é fácil para uma pessoa de 53 anos, sozinha e sem ninguém para partilhar uma refeição, sem ninguém conhecido a não ser as pessoas com quem me ia cruzando... Mas claro que valeu imenso a pena, pois acho que quando o leitor começar a ler percebe que estive naqueles locais... Quando chegamos ao Cabo da Ponte e cruzamos o Cabo da Boa Esperança de barco, olhamos para a rocha e vemos mesmo o rosto humano esculpido na rocha. Ele não inventou o Adamastor. A portugalidade que existe em todos os portos é fenomenal.”
Maria João Lopo de Carvalho,  em entrevista à revista Caras, 26 de junho de 2016

Entrevista a Maria João Lopo de Carvalho

 ‘Inspiro-me num qualquer lugar dentro de mim que desconheço’

 

 


Maria João, quando é que surgiu a sua vontade de escrever ficção e de publicar?
Um acaso na mudança de século. Uma amiga que entregou o original na Oficina do Livro. Hoje arrependo-me, não era o livro, nem o momento.
Onde é que, por norma, encontra a inspiração para escrever as suas obras?
Não há norma na inspiração. Há o avesso da norma: o caos, a desarrumação, a vontade. Inspiro-me num qualquer lugar dentro de mim que desconheço.
Quais as temáticas mais presentes na sua escrita?
Escrevo romances históricos e livros infanto-juvenis. Não há ideias ou há muitas. Sou eu e Portugal e a minha imaginação, julgo que será assim…
Que aspetos destacaria relativamente à sua mais recente obra; “Até que o Amor me mate”?
A minha paixão por Luís Vaz e o desejo de que os leitores, através do meu humilde contributo, cheguem à obra genial do maior poeta português.
Quais os momentos mais marcantes no seu percurso enquanto escritora?
Os encontros com leitores que me dão enorme motivação. E a viagem. A viagem de Luís Vaz por este mundo fora que «copiei» sozinha a 500 anos de distância.
O que é, para si, um bom livro? 
O livro que me perturba e desarruma.
E o que faz de um escritor um bom escritor?
Um bom leitor.
Para terminar, gostaríamos que nos indicasse os seus 7 escritores de eleição e os 7 livros que, indubitavelmente, recomendaria.
Nomeio alguns autores portugueses meus de quem gosto muito:
Rita Ferro, Gonçalo M. Tavares, Inês Pedrosa, Patrícia Reis, Afonso Reis Cabral, José Luís Peixoto, Nuno Camarneiro, Jorge Reis-Sá.

Entrevista transcrita de escritores,online
 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Encontro com autores








Na próxima 2ª feira, Maria João Lopo de Carvalho virá à nossa escola para mais um Encontro com autores.


Estão agendadas duas sessões - 10:05, para alunos do Secundário, e 11:45, para alunos do 9º ano -, ambas no Auditório 1.

As turmas que irão estar presentes já foram selecionadas, mas quem quiser participar no Encontro a título individual (alunos, professores e/ou funcionários) ainda o poderá fazer.





Perfil do aluno à saída da escolaridade obrigatória


15 de janeiro: dia de reflexão nacional 





O dia 15 de janeiro marca o debate que se pretende de âmbito nacional. As atividades podem iniciar-se antes e estender-se por outros dias do ano.

De forma a apoiar as dinâmicas que se venham a criar nas escolas em torno da reflexão sobre o Perfil dos Alunos à saída da escolaridade obrigatória e das suas implicações práticas na vida das escolas, a Rede de Bibliotecas Escolares apresenta algumas propostas de atividades. Pretende-se com estas sugestões propiciar dinâmicas que permitam aos alunos ter um papel central na discussão deste documento e na apresentação de ideias e propostas para projetos futuros.

http://www.rbe.min-edu.pt/np4/np4/?newsId=2059&fileName=atividades_perfil_aluno_2018.pdf
Clicar na imagem para aceder a documento

 
Todas as propostas apresentadas visam o reforço da identidade de cada agrupamento; possibilitam a liberdade de expressão dos alunos e a partilha intergeracional; desenvolvem múltiplas literacias, permitindo realizações online e offline, ao mesmo tempo que conduzem à apropriação do documento Perfil dos Alunos à saída da escolaridade obrigatória e à reflexão sobre as suas implicações práticas na escola.
https://drive.google.com/open?id=1JYViJWYT41eFssGfovixuQuuVuBcwB-0
 Dia do Perfil - Apresentação





quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Diário da Grande Guerra


 Testemunhos portugueses


 Já está disponível o Diário de janeiro de 1918!



http://grandeguerra.bnportugal.pt/1918_janeiro.htm #ww1
Fazer duplo clic para aceder ao diário



Almanaque do Jornal de Notícias 1918

 

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A Biblioteca do Senhor Juarroz






O senhor Juarroz gostava de organizar a sua biblioteca de maneira secreta. Ninguém gosta de revelar segredos íntimos.
O senhor Juarroz primeiro organizara a biblioteca por ordem alfabética do título de cada livro. Rapidamente, porém, foi descoberto.
O senhor Juarroz organizou depois a sua biblioteca por ordem alfabética, mas tendo em conta a primeira palavra de cada livro.
Foi mais difícil, mas ao fim de algum tempo alguém disse: já sei!
A seguir, o senhor Juarroz reordenou a biblioteca, mas agora por ordem alfabética da milésima palavra de cada livro.
Há no mundo pessoas muito perseverantes, e uma delas, depois de muito investigar, disse: já sei!
No dia seguinte, assumindo este jogo como decisivo, o senhor Juarroz decidiu arrumar a biblioteca a partir de uma progressão matemática complexa que envolvia a ordem alfabética de uma determinada palavra e o teorema de Gödel.
Assim, para estranheza de muitos, a biblioteca do senhor Juarroz começou a ser visitada, não por entusiastas da leitura, mas por matemáticos. Alguns passaram tardes a abrir os livros e a ler certas palavras, utilizando o computador para longos cálculos, tentando assim encontrar a todo o custo a equação matemática capaz de desvendar a organização da biblioteca do senhor Juarroz. Era, no fundo, um trabalho de descoberta da lógica de uma série semelhante a 2 | 9 | 30 | 93.
Pois bem, passaram dois, três, quatro meses, mas chegou o dia. Um reputado matemático, completamente vermelho e eufórico, segurando, na mão direita, um bloco gigante coberto de números, disse: já sei!, e apresentou depois a fórmula da série em que se baseava a organização da biblioteca.
O senhor Juarroz ficou desanimado e decidiu desistir do jogo. Basta!
No dia seguinte, pediu à sua esposa para organizar a biblioteca como bem entendesse.
Por ele, estava farto.
Assim foi. Nunca mais ninguém descobriu a lógica da organização da biblioteca do senhor Juarroz.


Gonçalo M. Tavares, O Senhor Juarroz, série O Bairro, 2.ª ed., Lisboa, Editorial Caminho, 2004 (adaptado)